Técnicas de Autoajuda e Auto Salvamento

A atividade de mergulho exige bom senso, manda ter alguns cuidados quando estamos na água, à superfície ou submersos. Se o mergulhador respeitar as regras de mergulho, permanecendo dentro dos seus limites, planeando o mergulho e procurando fazer um mergulho descontraído, evitará situações de conflito. Estar em forma física e psíquica razoáveis é também de grande importância. Apesar disso, se ocorrer algum problema o mergulhador deve ser capaz de cuidar de si próprio e dos outros.

A maior parte dos problemas no mergulho acontecem à superfície. Os principais são a exaustão, o frio, as cãibras, a separação do companheiro, o engasgamento com água (pirolitos), as correntes e a tensão nervosa.

PROBLEMAS À SUPERFÍCIE

Caso ocorra um problema à superfície, a primeira atitude a tomar é estabelecer flutuabilidade positiva, pondo ar no colete e, se necessário, largando o cinto de lastro. Só depois se deve tentar resolver o problema ocorrido. Caso seja necessário, deve-se pedir ajuda o mais cedo possível, evitando que um pequeno problema ganhe proporções incontroláveis.

PROBLEMAS DEBAIXO DE ÁGUA

Os problemas que ocorrerem debaixo de água, na sua maioria são facilmente evitados ou controlados se o mergulhador estiver calmo e descontraído, se verificar o ar regularmente e se mergulhar dentro dos seus limites. Os problemas mais frequentes são a exaustão, as cãibras, a separação do companheiro, ter pouco ar ou ficar sem ar, débito continuo do regulador, problemas com equipamento e tensão nervosa.

Parar, pensar e só depois agir, é a chave para a solução dos problemas

LIDAR COM CÃIBRAS

As cãibras são contrações musculares involuntárias, que podem aparecer nas pernas ou pés, causadas por esforço repentino e exagerado. Outros fatores podem contribuir ainda para a sua ocorrência, como a má condição física, desidratação, circulação sanguínea deficiente ou água fria.

Perante uma cãibra, deve imobilizar-se o músculo afetado, esticá-lo e massajá-lo suavemente para aumentar a circulação. No caso de uma cãibra no músculo inferior da perna (situação mais frequente), pode-se puxar a pala da barbatana esticando a perna. O companheiro de mergulho também, pode ajudar empurrando a pala da barbatana e fazendo uma massajem no músculo lesionado.

SEPARAÇÃO DO COMPANHEIRO À SUPERFÍCIE

Se a separação ocorrer à superfície, antes do início do mergulho (devido a correntes, por ex.), deve manter-se a flutuabilidade positiva, emitir um sinal acústico e pedir ajuda. Nunca iniciar a descida sozinho.

SEPARAÇÃO DO COMPANHEIRO DURANTE O MERGULHO

Durante o mergulho, o mergulhador deve permanecer sempre junto do seu companheiro, a uma distância que permita haver auxilio mútuo em caso de necessidade.

Se houver separação, o mergulhador deve procurar o companheiro durante um minuto, no fim do qual deve regressar à superfície. Como o companheiro de mergulho deve ter o mesmo procedimento, os dois encontrar-se-ão à superfície.

SUBIDA COM POUCO AR OU SEM AR

Ficar com pouco ar ou sem ar é o problema mais fácil de se evitar. Para isso deve-se verificar o manómetro de pressão antes do mergulho e consultá-lo frequentemente durante o mergulho. Supondo que o improvável acontece, há algumas maneiras de subir sem problemas.

A fonte de ar alternativa é a melhor solução. Os sistemas mais utilizados são a pony bottle (pequena garrafa auxiliar com regulador), que se leva montada sobre a garrafa principal, e o Spare Air (pequena garrafa com regulador incorporado na torneira), que se leva presa ao colete ou noutro local de fácil acesso.

FONTES DE AR ALTERNATIVAS

Em sentido lato, podemos considerar ainda como fontes de ar alternativas:

  1. Um segundo andar de emergência (“octopus”) ligado ao primeiro andar do regulador principal.
  2. Um segundo regulador independente montado numa segunda saída da torneira da garrafa.
  3. Fonte de ar partilhada.

1.SEGUNDO ANDAR DE EMERGÊNCIA

O segundo andar de emergência, geralmente de cor garrida e com uma mangueira mais comprida, permite oferecer ar ao companheiro de mergulho, comodamente e sem necessidade de partilhar o regulador principal. Além disso, se por acidente (uma barbatanada de algum mergulhador “arrasa fundos”) lhe fizer saltar o regulador da boca, o mergulhador tem uma fonte de ar imediatamente à disposição, enquanto recupera e verifica o bom estado do segundo andar principal. A única desvantagem deste sistema é que, se houver uma avaria na torneira ou no primeiro andar do regulador, tanto o segundo andar principal como o de emergência ficam sem ar.

2.SEGUNDO REGULADOR INDEPENDENTE

Esta situação não acontece se existir um segundo regulador independente acoplado a uma segunda saída da torneira. Se surgir uma fuga no primeiro andar do regulador principal, basta fechar a torneira à qual está ligado, para que o ar não se esgote, passando a respirar pelo outro regulador. Neste caso, o mergulhador continua a poder partilhar o ar com o companheiro.

3.FONTE DE AR PARTILHADA

A fonte de ar partilhada é outra solução. Neste caso, o ar da garrafa é partilhado através de um único regulador. É fundamental que o mergulhador que dá ar controle totalmente a situação. Quem dá ar nunca deve largar o regulador, mesmo quando o mergulhador assistido está a respirar, permitindo-lhe no entanto que ele possa controlar o fluxo de ar que respira através do botão de purga do regulador.

Cada mergulhador deve respirar duas vezes e passar o regulador para o outro, embora no início da partilha seja conveniente deixar o mergulhador assistido respirar mais vezes para ele se restabelecer e retomar o ritmo respiratório. Poderão então iniciar lenta e calmamente a subida, com o mergulhador que fornece ar a agarrar o colete do companheiro para evitar a separação.

SUBIDA DE EMERGÊNCIA CONTROLADA

A subida de emergência controlada é a última opção. Até uma profundidade máxima de 12 metros e se o companheiro estiver longe, o mergulhador pode nadar para a superfície, libertando ar continuamente para evitar a sobrepressão pulmonar. Chegado à superfície pode ter que encher o colete à boca e deve pensar seriamente na possibilidade de tirar o cinto de lastro para manter flutuabilidade positiva.

Se estiver a mais de 12 metros, pode fazer a subida em flutuabilidade positiva, largando o cinto de lastro no fundo e nadando para a superfície. Neste caso, o mergulhador deve ter o maior cuidado em libertar continuamente o ar, para evitar a sobrepressão pulmonar.

REGULADOR EM DÉBITO CONTÍNUO

Nesta situação deve-se tirar e por o regulador na boca ou desselar os lábios do bocal, deixando sair o ar em excesso. O mergulhador deve avisar de imediato o companheiro de mergulho e iniciar a subida acompanhado por este.

PROBLEMAS COM EQUIPAMENTO

Estes problemas evitam-se com uma verificação atenta antes do mergulho e manutenção regular do equipamento (no local do mergulho não há possibilidade de fazer grandes reparações). De qualquer forma o companheiro é fundamental para ajudar a resolver este tipo de situações.

Quando não estamos bem devemos pedir ajuda o mais cedo possível de modo a que um problema simples não se transforme numa situação muito complicada