Tabelas de Mergulho

NOÇÕES BÁSICAS PARA A PRÁTICA DE CORRETA DO MERGULHO RECREATIVO

Antes de avançarmos na explicação sumária das tabelas de mergulho há que deixar alguns esclarecimentos e chamar a atenção para algumas noções fundamentais para a prática correta do mergulho recreativo:

  • O mergulhador CMAS One Star Diver terá toda a vantagem em mergulhar acompanhado de um mergulhador de nível superior.
  • Nestas condições, sabe que tem ao seu lado um companheiro mais qualificado e com maior experiência que lhe transmitirá uma maior segurança e que o poderá ajudar a resolver qualquer situação anormal.
  • O mergulhador CMAS One Star Diver não pode fazer mergulhos que exijam paragens de descompressão. Este tipo de mergulhos reveste-se de maior perigo, requerendo segurança acrescida e maiores conhecimentos.
  • Os mergulhos de perfil ”yo-yo” ou “dente de serra” são vivamente desaconselhados, devido às constantes variações de pressão.
  • Os ”mergulhos sucessivos” apesar de possíveis são aconselhados para o mergulhador, com mais experiência e conhecimentos.

No entanto, é de fundamental importância para um mergulhador de qualquer nível ter os conhecimentos mínimos relacionados com a utilização das tabelas de mergulho para poder, em qualquer eventualidade, saber fazer o “ponto da situação”.

Há por todo o mundo uma enorme variedade de tabelas de mergulho. Todas são fiáveis, mas nenhuma é 100% segura, pela simples razão de que uma tabela é o resultado de cálculos matemáticos, não contemplando pois todos os fatores de ordem fisiológica que contribuem para que ocorra um acidentes de descompressão. Portanto, a realidade dos factos é que, o uso correto das tabelas não dá a garantia absoluta de que tais acidentes não possam ocorrer.

EVOLUÇÃO DAS TABELAS DE MERGULHO

A primeira tabela de mergulho foi criada no início do século XX (1907) por Scott Haldane, com base nos trabalhos do Dr. Paul Bert. Esta tabela foi inicialmente utilizada pelas marinhas nacionais de vários países, nomeadamente a França, a Inglaterra e os EUA.

Em 1948, o Groupe d’Etudes et Recherches Subaquatiques (GERS), adaptou o sistema métrico à tabela e introduziu a tabela de mergulhos sucessivos.

Desde então as diferentes marinhas nacionais calcularam novas tabelas ou adaptaram tabelas já existentes, baseado-se em critérios e valores variáveis, o que provocou diferenças significativas entre elas. Ao mesmo tempo, a evolução dos conhecimentos científicos, nas universidades e institutos de investigação permitiu que o aperfeiçoamento das tabelas fosse cada vez maior. Desta forma, uma vez que as tabelas têm sido continuamente aperfeiçoadas, devemos estar preparados para eventuais alterações que possam surgir nas tabelas que adoptamos.

Todas as tabelas são feitas a partir de modelos matemáticos que são testados mais ou menos exaustivamente em seres humanos. A credibilidade da Organização que as criou, o modelo matemático adotado, o tipo e quantidade de testes realizados e os equipamentos de rastreio e controlo utilizados é que ditam o grau de fiabilidade de uma tabela.

TABELA ADOTADA PELA CMAS

Após a análise de várias versões de tabelas de mergulho, a CMAS adotou a tabela BÜHLMANN 86, elaborada pelo Bühlmann Institut de Zürich, uma das mais prestigiadas organizações mundiais que se dedicam ao estudo do comportamento dos gases sobre pressão no organismo humano.

A tabela Bühlmann 86 foi elaborada a pensar no mergulho recreativo. Para além de contemplar os mergulhos em altitude, está feita de modo a tornar simples os cálculos necessários para efetuar mergulhos sucessivos. Esta tabela é utilizada por diversas organizações de mergulho e o seu algoritmo é utilizado em computadores de mergulho de várias marcas, como a Uwatec, a Spiro, a Suunto, a Mares, entre outras.

A TABELA BÜHLMANN 86

Tabela de descompressão
Tabela de mergulhos sucessivos

Todas as tabelas de mergulho se baseiam em três parâmetros fundamentais:

  • Profundidade máxima (P)
  • Tempo de Fundo (TF)
  • Velocidade de subida

Estes valores estão relacionados com a dissolução do azoto no sangue e nos tecidos orgânicos. Quanto mais profundo e mais demorado for o mergulho, maior é a pressão e mais longo é o período em que o corpo está sujeito a essa pressão, portanto, maior será a quantidade de azoto dissolvido no organismo.

Assim, interessa começar por definir esses valores e outros igualmente importantes, para nos inteirarmos do modo como funcionam as tabelas.

PROFUNDIDADE (P)

É a profundidade máxima, em metros, atingida durante o mergulho. Por exemplo, no caso de um mergulho realizado quase na totalidade a 15 metros de profundidade, com uma descida muito rápida aos 30 metros, é esta profundidade que conta para consultar a tabela e não os 15 metros.

TEMPO DE FUNDO (TF)

É o intervalo de tempo, em minutos, desde o início da descida até ao início da subida diretamente para a superfície.

O último gesto do mergulhador ao abandonar a superfície é marcar no seu relógio o início da contagem do tempo. Muitos relógios e profundímetros digitais dão início à contagem do tempo automaticamente, mal se dá a imersão, o que é o ideal.

Tempo de Fundo + tempo de subida + tempo no patamar de descompressão = Tempo Total de Mergulho.

É esse o valor que será registado na Caderneta de Imersão.

VELOCIDADE DE SUBIDA

A velocidade de subida está condicionada por fatores relacionados com a descompressão. As tabelas Bühlmann 86 foram calculadas para a velocidade de subida de 10 metros/ minuto, velocidade essa que deverá ser sempre respeitada.

EXEMPLOS PARA VELOCIDADE DE SUBIDA = 10m/min.

Se um mergulhador estiver a -40m, a subida até ao patamar de segurança (-3m) durará 4 minutos; se estiver a -27m, 1 minuto depois de iniciar a subida deverá estar a -17m, e 2 minutos depois a -7m.

Cumpra sempre a velocidade de subida de 10m por minuto.

A velocidade de descida é em grande parte condicionada pela capacidade individual de compensação. Porém, recomenda-se que esta velocidade não ultrapasse os 30 metros por minuto.