Sobrepressão Pulmonar

É um barotraumatismo muito grave, que acontece se o ar contido nos pulmões ficar bloqueado ou não for expelido em quantidade suficiente durante a subida. Em qualquer destas situações, o ar contido nos alvéolos pulmonares, ao expandir- se durante a subida, devido à diminuição da pressão, provoca uma dilatação dos alvéolos que pode causar lesões que vão da simples distensão até à rotura alveolar.

Nos casos mais graves pode mesmo haver pneumotórax (penetração de ar na cavidade pleural).

A gravidade deste acidente depende de dois factores: a quantidade de ar que o mergulhador tem nos pulmões no início da subida e a rapidez de expansão do ar no início do acidente. Isto quer dizer que o acidente será tanto mais grave quanto maior for a quantidade de ar inspirado , quanto mais rápida for a subida e quanto mais perto o mergulhador estiver da superfície.

Este acidente pode ocorrer durante as aulas práticas em piscina, se o aluno bloquear a expiração ao vir para a superfície.

Se tiver que regressar à superfície sem poder respirar pelo regulador, deverá desde o início da subida produzir continuamente o som !aaaaaaah!.

Isto bastará para manter aberta a saída de ar dos pulmões, ao mesmo tempo que vai libertando o ar em excesso devido ao aumento de volume.

Nunca bloquear a expiração durante a subida.

É muito importante que o mergulhador preste atenção ao cinto de lastragem e que esteja bem treinado na utilização do colete de mergulho.

A sobrepressão pulmonar pode também ocorrer quando um mergulhador em apneia recebe ar no fundo, regressando à superfície com a respiração bloqueada.

Por isso um mergulhador com escafandro nunca deve dar ar a um mergulhador que se lhe apresente em apneia.

Este barotraumatismo apenas se verifica na subida.

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico de uma sobrepressão pulmonar deve ser feito sempre que o mergulhador de escafandro sofra uma perda de conhecimento durante a subida ou pouco depois da saída da água.

Num caso destes é natural que outros problemas estejam presentes, pois a perda de conhecimento pode igualmente ser causado por anóxia (ausência de oxigénio), hiperóxia (excesso de oxigenação), intoxicações por dióxido de carbono ou monóxido de carbono, acidentes de descompressão e pré-afogamento ( Módulo 11 – Acidentes-Intoxicações).

Atuar de imediato, é o princípio que deve estar presente nestas situações. Ou seja, primeiro devem mobilizar-se os recursos para o combate ao choque e à falência respiratória e depois encarar o diagnóstico diferencial, a ser feito pelo médico.

O primeiro socorro mais indicado é a administração de oxigénio a 100% com um débito de 15l/min, devendo o acidentado ser colocado numa posição confortável (Curso de especialização em Administração de O2).

SINAIS E SINTOMAS

  • Dor aguda no peito, normalmente atrás do esterno.
  • Dificuldade e exacerbação da dor ao respirar.
  • Tosse com expetoração com sangue.
  • Sensação de plenitude torácica (peito cheio).
  • Inchaço no pescoço, que à palpação local se assemelha à palpação de neve (crepitação).
  • Alteração na tonalidade da voz.
  • Cianose dos lábios.
  • Diminuição dos movimentos do lado do tórax afetado.
  • Desvio da traqueia para o lado afectado.
  • Alterações neurológicas como: Confusão mental – dificuldade em falar – alterações da sensibilidade vertigens – convulsões – perda de consciência.