Património Cultural Subaquático

Segundo a convenção da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), património cultural subaquático são todos os traços de existência humana, parcial ou totalmente submersos há mais de 100 anos. Isto inclui sítios, estruturas, edifícios, artefactos e restos humanos, barcos, aeronaves e a sua carga, em conjunto com o seu contexto arqueológico e natural.

Todos estes vestígios fazem parte do património cultural da humanidade. Por isso o acesso aos locais arqueológicos submersos, para observar ou documentar, deve ser encorajado. Pretende-se deste modo estimular no público o gosto pelo património e pela sua salvaguarda. No entanto este acesso deve ser evitado quando é incompatível com a sua proteção e gestão.

DOCUMENTO ARQUEOLÓGICO

Se podemos comparar o trabalho do arqueólogo ao do detetive, podemos dizer que o sítio arqueológico é como o local do crime: os mais pequenos pormenores podem ser a chave para decifrar a verdade dos factos. É por isso que qualquer alteração da disposição dos vestígios, sem um prévio registo pormenorizado e exaustivo (desenho à escala, fotografia, posicionamento tridimensional, etc.), pode comprometer a investigação.

A íntima relação entre os vestígios arqueológicos de um sítio chama-se contexto arqueológico, uma das noções mais importantes a reter

PRESERVAÇÃO DOS VESTÍGIOS

A preservação in situ do património cultural subaquático deve ser sempre considerada como a primeira opção, antes de ser autorizada ou iniciada qualquer intervenção, até porque os bens arqueológicos provenientes do meio aquático põem problemas de conservação muito complicados.

Em qualquer atividade dirigida ao património cultural subaquático devem ser usados métodos e técnicas de prospeção não destrutivas, em vez da recuperação de objetos. No entanto, se a escavação ou a recuperação forem necessárias para o objetivo dos estudos científicos ou para a proteção definitiva do património cultural subaquático, os métodos e técnicas usadas devem ser tanto quanto possível não destrutivas e contribuir para a preservação dos vestígios. É preciso não esquecer que a escavação e recuperação de objetos é como a leitura de um livro a que arrancamos cada página que lemos. Já não é possível voltar a lê-lo.

Por isso, a prospeção, escavação e proteção do património cultural subaquático requerem a disponibilização e a aplicação de métodos científicos especiais e o uso de técnicas e de equipamentos apropriados. Da mesma forma, é necessário um elevado grau de especialização dos intervenientes.

O património cultural subaquático recuperado deverá ser depositado, conservado e gerido de uma maneira que fique assegurada a sua preservação a longo prazo, uma tarefa complexa e difícil.

Os objetos e outros vestígios arqueológicos provenientes do meio aquático apresentam difíceis problemas de conservação quando expostos ao ar. Depois de secos, os materiais orgânicos (madeira, couro, tecidos, etc.), alguns deles já muito frágeis dentro de água, desfazem-se ao mínimo toque. Até objetos de um material tão robusto como o ferro, mesmo sendo de grandes dimensões (canhões, âncoras), ficam reduzidos a pó de ferrugem em poucos anos. Esta degradação só é possível evitar mantendo os objetos em meio húmido e sujeitos a longos processos químicos.

CAMPANHA ARQUEOLÓGICA SUBAQUÁTICA

Face à fragilidade dos vestígios arqueológicos submersos, é fácil de compreender porque é que, antes de qualquer atividade dirigida ao património cultural subaquático, é exigido um plano do projeto para ser apreciado e autorizado pelas autoridades competentes.

As intervenções sobre o património cultural subaquático só poderão ser realizadas sob a direção, controle e a presença regular de um arqueólogo subaquático qualificado, com competência científica adequada ao projeto.

Deverá também ser preparado um plano de incidência ambiental de modo a garantir convenientemente que o leito do mar e a vida marinha não são perturbados indevidamente.

UM PLANO DE PROJECTO DEVE INCLUIR

  • Uma avaliação dos estudos prévios ou preliminares
  • O enunciado do projeto e seus objetivos
  • A metodologia a ser usada e as técnicas a serem empregues
  • Financiamento antecipado
  • A calendarização prevista para a conclusão do projeto
  • A composição da equipa e as qualificações, responsabilidades e experiência de cada membro da equipa
  • Um programa de conservação para os artefactos e para o sítio em estreita cooperação com as autoridades competentes
  • A gestão do sítio e um plano de manutenção para a duração completa do projeto
  • Planos para análises e outras atividades após o trabalho de campo
  • Um programa de documentação
  • Um plano de segurança
  • Um plano de incidência ambiental
  • Os acordos para a colaboração com museus e outras instituições, em particular as instituições científicas
  • A preparação dos relatórios
  • Depósito dos arquivos, incluindo o do património cultural subaquática recuperado
  • Um programa de publicação