Mergulho Sucessivo

É qualquer mergulho efetuado antes do organismo estar completamente liberto do azoto residual acumulado no mergulho anterior. Esta situação pode acontecer durante um intervalo de tempo que pode atingir as 24 horas, conforme a quantidade de azoto residual com que o mergulhador saiu do mergulho anterior.

Em função do intervalo de superfície (IS), todo o mergulho sucessivo é caracterizado no seu início por um valor de GR (Grupo Residual de azoto), que poderá ser igual ou diferente ao valor de GR com que terminou o mergulho anterior.

INTERVALO DE SUPERFÍCIE (IS)

É o intervalo de tempo que decorre entre o fim de um mergulho (a chegada à superfície) e o início do mergulho seguinte. Caso não exista na Tabela IS o valor real do intervalo de superfície, deve escolher-se o valor imediatamente inferior por ser mais penalizaste para o cálculo do novo GR, garantindo portanto maior segurança.

EXEMPLO

Se no final do 1º mergulho ficamos com um GR=F e passados 65 minutos vai ser realizado o 2º mergulho.

Como o valor 65 min não existe na tabela  toma-se o valor imediatamente inferior por ser mais penalizante

Inicia-se o 2º mergulho com um GR=C.

Na tabela IS, a coluna Voar indica o tempo mínimo de espera em horas, até o mergulhador poder viajar de avião.

A coluna “0” indica o tempo mínimo necessário para que não seja preciso introduzir qualquer correção no tempo de fundo do mergulho seguinte.

TEMPO DE PENALIZAÇÃO (TP)

O Tempo de Penalização corresponde ao tempo que seria necessário permanecer à profundidade a que se vai mergulhar, para atingir o valor de azoto residual (GR) com que se inicia o mergulho sucessivo.

No caso de não existir na Tabela TP o valor real da Profundidade Prevista (PP) para o novo mergulho, escolhe-se o valor de profundidade imediatamente inferior.

EXEMPLO

Se estivermos a preparar um mergulho sucessivo a 24 metros e o novo GR=B.

O tempo de penalização será de 13 min.

TEMPO DE FUNDO CORRIGIDO (TFC)

É o tempo de fundo a considerar, para todos os efeitos e todos os cálculos, no mergulho sucessivo.

O Tempo de Fundo Corrigido (TFC) resulta da soma do Tempo de Penalização (TP), obtido a partir do valor do GR existente no início do mergulho sucessivo, com o Tempo de Fundo (TF).

O Tempo de Fundo Corrigido (TFC) serve também de base ao cálculos de eventuais paragens de descompressão a realizar no mergulho sucessivo, situação que, como atrás foi referido, é interdita ao mergulhador CMAS One Star Diver.

OBSERVAÇÕES

  • Quando se diz “mergulho sem descompressão”, de facto, quer dizer-se “mergulho sem patamares de descompressão”. Isto significa que o organismo tem azoto em excesso, mas dentro do limite que permite subir diretamente para a superfície. No entanto não se pode mergulhar de novo, voar, ou subir uma montanha, sem entrar em conta com o mergulho efetuado.
  • As tabelas são modelos matemáticos, que utilizam como referência um “indivíduo médio”. Mas as pessoas reagem fisiologicamente de formas diferentes. Os riscos de acidente de descompressão podem aumentar com a fadiga, frio, adiposidade, certos medicamentos ou a idade. Por isso, é aconselhável encurtar um ou dois minutos o Tempo de Fundo indicado para os mergulhos sem patamares de descompressão.
  • Mesmo nos mergulhos sem patamares de descompressão, é sempre aconselhável fazer uma paragem de segurança de 1 minuto a 3m. Com mar agitado, onde é difícil a imobilização aos 3m, essa paragem deverá ser feita entre os 3 e os 5 metros.
  • Uma subida mais rápida ou mais lenta do que os 10m/min indicados na tabela pode criar problemas de descompressão, mesmo num mergulho sem paragens de descompressão obrigatórios.
  • Subir repetidamente à superfície durante o mergulho, mesmo sendo por breves momentos (verificar marcas, procurar companheiros, etc.), é profundamente desaconselhável.
  • Nunca se deve esticar o Tempo de Fundo até aos limites.