Intoxicação por Dióxido de Carbono

CAUSA

A causa mais usual da intoxicação pelo dióxido de carbono (CO2) na prática do mergulho é a má técnica respiratória (respiração superficial), que provoca uma retenção deste gás no organismo.

Outra causa de intoxicação pelo CO2 é o cansaço excessivo do mergulhador (exaustão), já existente ao entrar na água. Este cansaço pode ser também provocado pelas condições do mar (corrente, água fria, fraca visibilidade, ondulação), pelo medo, pela insegurança, pela falta de preparação, pela utilização incorreta ou avaria do equipamento (regulador com débito insuficiente ou entrada em débito contínuo) ou por uma situação de perigo inesperada.

PRECAUÇÕES

O mergulhador deve preocupar-se com a fase expiratória, que deve ser activa e pro- longada. Deve fazer expirações profundas para libertar ao máximo o CO2 produzido.

SINAIS E SINTOMAS

Primeira Fase
  • Dificuldade em respirar (respiração cada vez mais acelerada).
  • Ansiedade.
  • Dores de cabeça.
  • Tonturas e náuseas.
Segunda Fase
  • Palpitações.
  • Tremor muscular.
  • Lábios e extremidades azuladas.
  • Convulsões.
  • Perda de consciência (A perda de consciência pode conduzir à morte por afogamento).

Se o mergulhador estiver submerso quando começa a sentir dificuldade em respirar, deve parar todos os movimentos e controlar a respiração concentrando-se na fase expiratória, que deve ser ativa e prolongada.

Depois de acalmar e de regularizar a respiração, deve subir alguns metros lentamente. Se não melhorar, deve regressar à superfície depois de avisar o companheiro de mergulho de que não se está a sentir bem, para que ele o acompanhe.

Este tipo de intoxicação origina a maior parte das mortes por afogamento à superfície. Em situações extremas, o mergulhador vai perdendo o controlo da respiração, que se torna cada vez mais rápida e superficial, aumentando ainda mais o nível de CO2 no organismo, até que atinge o descontrolo total. Nesta altura, o mergulhador tenta desesperadamente manter-se à superfície, arranca a máscara, tira o regulador, não responde ao companheiro de mergulho, esquece-se de encher o colete e de largar o cinto de lastro. Entra então em pânico, o que pode conduzir rapidamente a uma situação de afogamento.

Ao chegar à superfície o mergulhador deve encher o colete, para ficar a flutuar sem fazer qualquer esforço. Caso seja necessário, não deve hesitar em largar o cinto de lastro, ficando imóvel até que o venham recolher. Não deve também hesitar em pedir auxílio, através de um sinal sonoro e do sinal visual adequado.

Depois de subir para bordo, o mergulhador deverá ficar em repouso num local bem ventilado. Normalmente as melhoras verificam-se ao fim de algum tempo.

Se for possível deverá ser feita administração de oxigénio a 100% com um débito de 15l/min, uma vez que o tratamento com oxigénio reduz substancialmente o tempo de recuperação.