Importância e Conservação do Meio Marinho

A Natureza diversificada dos fundos da nossa costa e alguns fenómenos oceanográficos que ocorrem sazonalmente, contribuem para a presença de importantes recursos marinhos e de elevados níveis de biodiversidade.

A estrutura das comunidades, em termos de abundância e diversidade, é determinada em grande parte pelo meio ambiente e pelo grau de exploração humana.

A nível ambiental, os factores que mais contribuem para essa diferenciação compreendem a temperatura, produtividade primária, correntes marinhas, extensão e inclinação da plataforma continental e os tipos de fundos oceânicos. Por outro lado, a existência de vários acidentes geográficos com pequenas ilhas, baías e cabos, sistemas lagunares e estuários, proporciona um conjunto de habitats adequados em termos de abrigo, protecção a predadores, alimentação, desova e crescimento de juvenis de muitas espécies marinhas.

A crescente exploração de recursos pesqueiros, aliada a uma cada vez maior ocupação e utilização das faixas litorais, com consequente aumento de poluição, alteração e destruição de habitats, levanta sérias precauções para a manutenção dos ecossistemas e da biodiversidade. Muito embora a maioria das espécies que se observam durante o mergulho nas nossas costas ainda sejam relativamente abundantes, algumas já são raras e, porque podem levar muitos anos a atingir a sua maturidade ou porque têm períodos de reprodução restritos, podem ser particularmente vulneráveis à sua recolha.

Pode ser tentador para um mergulhador recolher organismos que à primeira vista parecem ser abundantes, mas na realidade pode não ser esse o caso; por isso se quer levar qualquer recordação do seu mergulho faça-o utilizando uma máquina fotográfica.

A minimização dos impactos sobre o meio marinho poderá ser alcançada pelo estabelecimento de reservas marinhas, proteção de habitats, gestão integrada de recursos marinhos e ordenamento da orla costeira

A proteção do ambiente marinho começa pela postura correta do mergulhador durante todo o seu mergulho. O mergulhador deve evoluir junto ao fundo, como se fosse uma sombra sem deixar o mínimo rasto da sua passagem.

Obviamente, esta postura obriga a uma lastragem perfeita e ao correto manuseamento do colete de mergulho, competências que deverão ser adquiridas durante este curso e exaustivamente treinadas pelo mergulhador.

É fundamental que o mergulhador se consciencialize de que, não sendo a água o seu habitat normal, deverá comportar-se como uma parte sensível do mundo subaquático e nunca como um estranho, de modo a integrar-se perfeitamente nesse mundo tão maravilhoso.

Para isso deve cumprir as “10 regras de ouro do bom mergulhador”, aprovadas no ano 2000 pela CMAS, por proposta da sua Comissão Científica, que definem objetivamente o relacionamento do mergulhador com o meio marinho no âmbito da sua proteção.

10 REGRAS DE OURO DO BOM MERGULHADOR

  1. Nunca entrar na água por cima das algas, corais ou outros seres marinhos
  2. Controlar bem a flutuabilidade
  3. Manter alguma distância dos corais e outros animais e não agitar o sedimento do fundo
  4. Ter cuidado com o local onde lançar o ferro para fundear o barco
  5. Não perseguir, tocar ou alimentar os animais no seu ambiente
  6. Não caçar (por divertimento) e não comprar nem coleccionar lembranças, como corais e conchas
  7. Ter o máximo cuidado nos mergulhos em grutas, pois existem formas de vida muito delicadas nas paredes
  8. Manter os locais de mergulho limpos
  9. Aprender sobre a vida marinha e alertar para a sua destruição
  10. Incentivar os companheiros de mergulho a seguirem estas regras

Ter uma noção básica da vida marinha permite que o mergulhador registe com alguma precisão aquilo viu.“Conhecer toda a vida existente nas extensões oceânicas é o primeiro passo para a sua correcta preservação”.