Cuidados e Conservação

IMPORTÂNCIA

Tal como se tem vindo a referir nos módulos anteriores, todo o equipamento de mergulho deve ser tratado cuidadosamente, uma vez que alguns dos seus componentes são responsáveis pela segurança do mergulhador. Além disso, e tendo em conta que o equipamento de boa qualidade não é barato, uma boa manutenção garante uma maior duração.

LAVAGEM

A lavagem abundante com água doce logo após cada mergulho é o primeiro cuidado a ter com todo o equipamento. A lavagem destina-se a remover não só sedimentos e areia, mas também toda a água salgada do equipamento, que ao secar iria originar depósitos de sal.

SECAGEM

A secagem do material deverá ser sempre feita à sombra e em local arejado, de preferência pendurado. O calor e sobretudo a exposição directa à luz solar (raios ultravioletas) são os piores inimigos do equipamento de neoprene, borracha e silicone.

Lavar com água doce e secar à sombra são os dois cuidados básicos mais importantes para todo o equipamento de mergulho.

INSTRUMENTOS

Dentro dos instrumentos temos o relógio, profundímetro, manómetro, bússola, lanterna, faca, etc.

Todos os instrumentos deverão ser acondicionados de modo a ficarem protegidos contra os choques. A bússola deve ficar sempre colocada longe de materiais magnéticos.

As coroas rotativas do relógio e da bússola devem ser cuidadosamente lavadas e limpas com água doce após o mergulho.

A lâmina da faca deve ser bem seca, bem com o interior da bainha, de modo a evitar a oxidação do material (mesmo daquele que se diz ser inoxidável!).

O cinto de lastro não deve ser largado no chão de qualquer maneira, porque com as pancadas as malhas de chumbo vão-se deformando, dificultando depois a sua movimentação ou a remoção do cinto. O funcionamento da fivela deve ser verificado frequentemente, para garantir que o cinto poderá ser solto sem qualquer dificuldade.

Há que ter o cuidado especial de nunca deixar as pilhas dentro da lanterna para evitar que se danifiquem os contactos eléctricos, no caso de alguma das pilhas se estragar.

ESCAFANDRO

Os componentes do escafandro são a garrafa, o regulador e o colete.

Garrafa

A garrafa de mergulho deve ser manuseada com o maior cuidado para evitar qualquer choque ou queda, de modo a que o seu revestimento exterior não seja danificado, uma vez que qualquer golpe na pintura protectora pode dar origem a um ponto de ferrugem. No final de cada mergulho a garrafa deve ser lavada com água doce e posta a secar à sombra. Não se deve deixar a garrafa exposta a temperaturas muito elevadas (especialmente na bagageira dos carros) para evitar dilatações do material, e subsequentes contracções, o que afecta a estrutura molecular do material de que é feita. A garrafa deverá ser mantida sempre deitada (transporte, barco, cais) excepto quando está armazenada.

A torneira da garrafa deverá manter-se sempre fechada quer esta contenha ou não ar, devendo manter-se preferencialmente uma pressão mínima de ar no seu interior.

Periodicamente o interior da garrafa deve ser inspeccionado por um técnico competente para ver se há formação de ferrugem. Caso isso se verifique, a garrafa deve ser limpa de modo a retirar-se toda a ferrugem existente e, se necessário, fazer a protecção da superfície interior.

Uma das partes mais sensíveis da garrafa é a torneira. Esta deve ser protegida ao máximo contra choques, para evitar o empeno de alguns dos seus componentes, o que pode levar ao seu bloqueio. As torneiras deverão ser inspeccionadas anualmente, no final ou no início da época, por um técnico especializado, que deverá substituir os componentes deteriorados e proceder à lubrificação interna.

Há que dar especial atenção à junta tórica que faz a vedação entre a torneira e o regulador, tanto no sistema de “estribo” como no sistema DIN. Esta junta deve estar sempre em muito bom estado, sem cortes ou defeitos, e ao ser colocada na sede deve verificar-se cuidadosamente se está limpa.

Durante o transporte e o armazenamento das garrafas, a saída da torneira deve estar protegida por uma capa de plástico que evita a entrada de poeiras ou outras impurezas que a possam danificar ou dificultar a boa vedação da junta.

As garrafas devem ser submetidas periodicamente (de acordo com a legislação em vigor) a uma prova hidráulica para avaliação da sua estrutura.

Regulador

O regulador, sendo a peça mais complexa do equipamento, deverá ser sujeito aos maiores cuidados. Durante o transporte, deve estar muito bem acondicionado, de modo a ficar protegido de choques ou da acção de pesos elevados que o possam deformar. Quando está fora de uso, a entrada do ar no 1º andar deve estar sempre tapada, de modo a evitar a entrada de poeiras, água ou outros corpos estranhos.

Depois de montado na garrafa, devem evitar-se movimentos bruscos para evitar que o regulador vá embater em obstáculos que o possam danificar. O melhor é guardar o 2º andar dentro de um dos bolsos do colete, ou então prendê-lo com um dispositivo apropriado, para que não ande solto.

Após o mergulho e de preferência antes de ser retirado da garrafa, o regula- dor deve ser lavado abundantemente com água doce. A torneira deve manter-se aberta para que o sistema esteja sobre pressão, evitando assim qualquer entrada de água na válvula de baixa pressão no 2º andar. O 2º andar de emergência deve estar preso ao equipamento durante o mergulho, sem nunca ser deixado solto, a bater nas rochas ou arrastando pela areia, para evitar danos.

O regulador deverá ser verificado anualmente, no final ou no início da época, por um técnico especializado que deverá substituir os componentes deteriorados e proceder à sua lubrificação e afinação.

A mangueira que liga os dois andares do regulador deve ser cuidadosamente conservada. Nunca deve ficar dobrada durante o armazenamento e transporte dentro do saco de mergulho. Como qualquer outro material de mergulho, nunca deve ser deixada exposta ao sol ou a elevadas temperaturas. A ligação da mangueira às uniões roscadas deverá ser inspeccionada com regularidade e frequentemente, para garantir que não existe qualquer golpe e que a junção está perfeita.

Quando se retira uma mangueira do regulador, a abertura do regulador e a extremidade da mangueira deverão ser tapadas com os tampões de origem, evitando a entrada de corpos estranhos.

Nunca entregue a manutenção do seu regulador a curiosos pois dele depende a sua sobrevivência.

Colete

O colete de mergulho, é outra peça do equipamento que é fundamental manter bem cuidada e funcional. Tal como o indicado para os outros equipamentos, também o colete deve ser lavado com abundante água doce no final do mergulho. Todos os recantos do colete devem ser cuidadosamente lavados, fazendo incidir o jacto de água nas válvulas de escape e no bocal e sistema de enchimento da traqueia.

O colete deve ser bem lavado por dentro com água doce e imediatamente despejado. A secagem deve ser feita ao abrigo do calor e da luz solar, pendurado pelas precintas ou num cabide. Depois de seco o colete deve ser guardado no saco de mergulho, sem ser dobrado e com as abas viradas para cima, colocando-se depois o restante equipamento no seu interior, e fechando as abas no fim.

Todas as partes metálicas do colete devem ser cuidadosamente limpas e o sistema de admissão de ar deve ser revisto e lubrificado regularmente por um técnico especializado, para garantir o seu perfeito funcionamento e sobretudo para que botão de enchimento nunca fique preso quando for acionado. As precintas e fivelas ou mosquetões devem ser mantidas limpas e em boas condições para garantir que funcionam corretamente.

O colete deve ser transportado de forma cuidada, evitando que entre em contacto com superfícies abrasivas ou cortantes para que não sofra esfoladuras ou rasgões (cuidado com a arrumação da faca e nunca a deixe fora da baínha!).