Composição do Ar e Ação do Azoto

Qualquer gás em contacto com um líquido tem tendência a dissolver-se nele, até um determinado limite. Quando este limite é atingido diz-se que o líquido está saturado, isto é, não consegue dissolver mais gás. Este limite de dissolução está relacionado com a pressão a que o líquido e o gás estão sujeitos.

Assim, no ato respiratório, os componentes do ar que inspiramos vão dissolver- se no sangue e nos restantes tecidos orgânicos, até atingirem um valor máximo, de acordo com a pressão a que estão submetidos.

O ar que respiramos é uma mistura de gases composta por:

  • 79% de Azoto ou Nitrogénio (N2);
  • 20,9% de Oxigénio (O2);
  • 0,03% de Dióxido de Carbono (CO2);
  • 0,07% de vapor de água e gases raros.

Tendo em conta as características dos mergulhos permitidos ao mergulhador CMAS One Star Diver, que só pode evoluir até à profundidade de 20m, e partindo do princípio que a técnica respiratória do praticante é satisfatória, interessa-nos apenas analisar o comportamento do azoto.

AZOTO

O azoto é um gás inerte que se dissolve nos tecidos do organismo, apesar de não ter qualquer utilidade respiratória. O volume de azoto dissolvido depende da profundidade atingida e da duração do mergulho: quanto maior for a profundidade (pressão) e o tempo de mergulho, maior é a quantidade de gás dissolvido.

Todo este azoto que se dissolve no organismo durante o mergulho é libertado quando se inicia o regresso à superfície (diminuição de pressão). Esta libertação é feita através das trocas respiratórias.

Isto não quer dizer que ao chegar à superfície o mergulhador tenha já eliminado todo o azoto dissolvido durante o mergulho. Na realidade, ao atingir a superfície o organismo continua com uma certa quantidade de azoto, que irá libertar-se após terminado o mergulho.

Portanto, o nosso organismo pode suportar uma determinada quantidade suplementar de azoto dissolvido, para além da que normalmente contém quando se encontra ao nível do mar (cerca de 1 litro).

Para que o mergulhador chegue à superfície com o azoto dissolvido dentro dos limites que o organismo pode suportar, são impostos limites de profundidade e de tempo de mergulho, que se apresentam relacionados sob a forma de tabelas ( Módulo T13 –Tabelas de descompressão).

O não cumprimento destes limites pode originar graves problemas ao mergulhador. De facto, se a quantidade de azoto dissolvido ultrapassar a capacidade suportada pelo organismo, dá-se a libertação de bolhas de azoto nos tecidos durante a subida. É um fenómeno parecido com o que acontece quando se tira a rolha a uma garrafa de espumante, que tem gás dissolvido sob pressão.

Estas bolhas provocam uma alteração fisiológica de maior ou menor gravidade, chamada “doença de descompressão” ou “acidente de descompressão”.

FATORES QUE PREDISPÕEM AO ACIDENTE DE DESCOMPRESSÃO

  • Cansaço;
  • Desidratação;
  • Frio;
  • Esforços Físicos violentos durante e após o mergulho;
  • Má forma física;
  • Fatores emocionais;
  • Idade;
  • Obesidade;
  • Consumo de álcool;
  • Consumo de drogas;
  • Mergulhos sucessivos;
  • Perfil de mergulho.

São todos fatores que podem também predispor para o acidente de descompressão, mesmo quando os limites impostos relativamente à profundidade e tempo do mergulho sejam respeitados.

A diminuição brusca de pressão a seguir a um mergulho, por exemplo numa viajem de avião ou numa viajem de carro por estradas de montanha, pode igualmente provocar um acidente de descompressão, ainda que tenham sido respeitados os limites impostos de profundidade e de tempo.