5. Dendrocronologia

Dendro: Madeira                               Cronos = Tempo

As árvores em zonas temperadas crescem em espessura de maneira descontínua. A produção dos seus tecidos só se faz durante uma parte do ano, nomeadamente na primavera e no verão, o que leva à formação de anéis com o ritmo de um por ano.

São chamados anéis anuais.

Figura 13 – Datação Dendrocronológica

Verifica-se, por outro lado, que a largura desses anéis não é constante, variando de ano para ano em cada região de acordo com a variação das condições climáticas: quanto melhores forem essas condições tanto mais largos serão os anéis anuais e, inversamente, quanto mais desfavoráveis as condições tanto mais estreitos os anéis. Estes anéis anuais funcionam como o registo preciso da natureza – um calendário de madeira. A medição e investigação da espessura e densidade dos anéis fornecem informações preciosas sobre as condições existentes durante o tempo de vida da árvore – dendrocronologia fornece-nos informação sobre antigas mudanças no clima, enquanto que (graças a modelos matemáticos) nos permite prever futuras evoluções climáticas.

A dendrocronologia envolve, pois, o estudo das séries dos anéis anuais das árvores para efeitos de datação. Através da comparação da largura dos anéis de diferentes árvores de uma mesma espécie e região, bem como das diferenças na estrutura dos anéis é possível determinar com exatidão o ano em que cada anel se formou. Os dados referentes aos anéis anuais de árvores de idades diferentes podem ser assim combinados de modo a constituírem gradualmente longas séries cronológicas.

Algumas séries dendrocronológicas foram já rigorosamente estabelecidas, em particular a de anéis de carvalhos europeus cuja extensão abrange neste momento um intervalo de tempo de cerca de 10.000 anos até ao presente. A datação de um objeto de madeira faz-se determinando onde se encaixa o padrão característico da variação da largura dos seus anéis anuais na série dendrocronológica estabelecida para a respetiva espécie. A data que se atribuí ao objeto é, em regra, a que corresponde ao último anel nele detetado.

Constituição de uma sequência de referência

A partir de uma população de árvores vivas de uma mesma espécie, é possível extrair-se, sem danificar a árvore, uma amostra da sequência dos anéis. Sabendo que o último anel representa o ano atual, consegue-se remontar até ao ano de nascimento da árvore. Atendendo a que, para uma mesma zona climatérica, os anéis correspondentes aos mesmo anos terão as mesmas sempre as mesmas proporções, é possível através de um “sistema de puzzle” estabelecer sequências cada vez mais recuadas.

Troncos de árvores submersos ou em zonas profundas de terrenos turfosos onde não haja ar resistem ao apodrecimento durante milhares de anos. Atualmente os investigadores procuram novas amostras de madeira justamente nestas zonas. Velhos troncos de pinheiro de casquinha foram encontrados em lagos e charcos acima da atual linha de altitude limite da floresta na Lapónia, permitindo, assim, o acrescento das sequências cronológicas desta espécie.

No entanto, é necessário ter em atenção que uma sequência só é válida numa mesma região climatérica e para uma determinada espécie arbórea, se existir um conjunto de amostras estatisticamente expressivo.

Uma vez construídas as sequências de referência, sempre que se encontram madeiras arqueológicas ou artefactos em madeira, a sequência dos seus anéis pode ser comparada com as sequências cronológicas estabelecidas para a espécie, extraindo-se, em caso de correspondência, a datação do objeto ou da peça de madeira ao ano.