4. Arqueologia Subaquática vs. Arqueologia Náutica

Um navio naufragado é, quase sem exceção, um vestígio arqueológico subaquático. Mas, e se for encontrado em terra como o navio seiscentista do Cais do Sodré (encontrado durante a abertura da estação de metro do Cais Sodré em Lisboa)?

Figura 4 – Sítio arqueológico no campo das cebolas em Lisboa

Uma estrutura portuária é, em quase todos os casos, um vestígio arqueológico subaquático.

Mas, e se for encontrada em terra, como os vestígios descobertos durante a construção do parque de estacionamento subterrâneo do Largo Joaquim Damásio (Santos-o-Velho em Lisboa)?

Neste caso, trata-se de vestígios arqueológicos terrestres. Mas são, à semelhança dos seus congéneres encontrados em ambiente húmido ou molhado, vestígios arqueológicos náuticos, isto é, remetem-nos para a relação homem/mar ou homem/rio. O navio, como a maior máquina pré-industrial conhecida, teve uma grande importância para o desenvolvimento económico das diferentes sociedades desde épocas remotas, e mesmo as comunidades que não possuíam costa marítima e desenvolveram uma vasta rede de transporte aquático em águas interiores.

  • Construção Naval: como eram concebidas, construídas e utilizadas as embarcações.
  • Política e Economia: o peso da embarcação na política e na economia-comércio, expansão, colonização, comunicação e transporte.
  • Sociedade: o funcionamento da embarcação dentro da sociedade/comunidade – o papel social dos homens que construíam (carpinteiros, calafates…), que financiavam a construção (armadores), que manobravam (marinheiros, mestres…) e que utilizavam o navio como um objeto gerador de lucro (através do transporte, frete…).
  • Ocupação do Território: rotas de navegação e vias de comunicação no interior de uma entidade territorial ou entre entidades territoriais.
Figura 5 – Piroga monóxila do rio Lima