3. Tipologia

A tipologia consiste na classificação de artefactos em tipos, idênticos em determinadas variáveis, como a forma, o fabrico ou a decoração. A cerâmica é o género de artefacto a que a tipologia mais se aplica, na medida em que tem uma enorme propensão para a variação da longevidade. As datações relativas para diferentes artefactos-tipo são estabelecidas através da estratigrafia. Por sua vez, a atribuição de uma cronologia absoluta a um qualquer tipo de artefacto só é possível pela datação absoluta dos contextos das escavações. No caso de confirmação, em sítios arqueológicos distintos, da relação artefacto-tipo/datação absoluta, este artefacto-tipo transforma-se num “fóssil-diretor”. Quer isto dizer que, sempre que um artefacto idêntico surja num contexto arqueológico selado, pode-se atribuir de imediato uma datação absoluta a esse contexto: por exemplo, o surgimento de uma cerâmica campaniforme conota o nível em que se encontra com o Calcolítico Final.

O estabelecimento de uma tipologia é, contudo, um processo moroso, na medida em que exige a existência de artefactos tipologicamente idênticos em diferentes arqueossítios e a articulação entre os resultados obtidos em diversas escavações. Um único objeto cerâmico não permite o estabelecimento de uma tipologia; o surgimento de uma grande quantidade de objetos cerâmicos, sequencialmente evolutivo, num único sítio arqueológico permite a elaboração de uma tipologia, unicamente válida para o arqueossítio em causa.

O paradigma da tipologia são certamente as ânforas romanas. As ânforas, recipientes de armazenagem e transporte particularmente comuns no mundo euro-mediterrânico durante mais de 3.000 anos, e revestem-se de uma importância especial para a arqueologia:

Figura 11 – Tipologia Ânforas
  • Foram produzidas aos milhões de exemplares;
  • Encontram-se expressivamente presentes não apenas no mundo euro-mediterrânico;
  • No espaço e no tempo, revestiram-se de variações formais (tipos), sendo estes atributos, tipo/função, origem e cronologia, cada vez mais bem conhecidos;
  • A sua extraordinária dispersão geográfica, constitui um dos melhores indicadores da natureza, da intensidade e da extensão de um comércio para o qual elas constituíram o contentor universal;