2. Estratigrafia e a “lei da sobreposição”

Em Geologia, a estratigrafia tem duas interpretações: a primeira diz respeito à disposição física de estratos num depósito geológico; a segunda, ao estudo dos mesmos estratos no que respeita à sua formação, composição e distribuição.

O estudo da estratigrafia baseia-se, sobretudo, no princípio da sobreposição, segundo o qual, numa sequência de deposição de sedimentos que não foi mexida, os sedimentos mais profundos são os mais velhos e o mais à superfície os mais novos.

Figura 9 – Estratigrafia

Graças a este princípio, é possível conceber uma sequência cronológica para a formação dos solos, nas várias camadas sedimentares, estabelecendo uma relação de tudo o que for encontrado nelas e permitindo a associação de objetos encontrados em diferentes camadas. Com efeito, da “datação cruzada”, pode-se tirar partido de afinidades em estratigrafias de um mesmo sítio ou de diferentes sítios – uma especialização de “datação cruzada” chamada biostratigrafia utiliza fósseis animais ou vegetais para fazer associações entre sítios e camadas estratigráficas.

Em Arqueologia, a estratigrafia responde à mesma lógica! Contudo, o que se encontra agora em análise não é a história geológica do subsolo, mas a ação humana. E não podemos negar que as diferentes ações humanas deixam o seu “carimbo” no solo: uma ação tão simples como a abertura de um buraco e o seu posterior enchimento deixa uma marca material, a construção de um muro deixa os seus vestígios…

No quadro de uma escavação arqueológica é, pois, possível identificar estratos de ocupação humana, com o seu conteúdo de origem antrópica (estruturas, artefactos, ecofatos…), os quais são indícios de ocupações sucessivas.

Para melhor entender e analisar a sucessão de níveis arqueológicos, os arqueólogos adotaram o esquema do Diagrama de Harris: As várias camadas são representadas por retângulos e as relações de tempo entre elas por traços.

A estratigrafia permite, assim, estabelecer uma sequência temporal para os vestígios arqueológicos encontrados nos diferentes níveis. Trata-se, contudo, de uma cronologia relativa, onde a noção de ano ou época não existe. Apenas a aplicação de métodos de datação absoluta a determinado tipo de vestígios arqueológicos, permitirá, a posteriori, a introdução de datas absolutas na estratigrafia.

Figura 10 – Diagrama de Harris