2. Sítios Arqueológicos

O termo “Local Arqueológico” é familiar, no entanto qual o significado do mesmo e como são estes sítios arqueológicos estudados? Um local arqueológico pode ter a forma de um castelo medieval, um povoado neolítico ou, de facto, um navio naufrágio. Qualquer que seja a sua forma, um local arqueológico compreende todo o material deixado para trás pelas antigas sociedades. Desde as muralhas de um castelo o botão de qualquer peça de vestuário, o material deixado forma o registo arqueológico, sendo o mesmo material considerado como parte integrante do local arqueológico. Um local arqueológico pode então ser descrito como a concentração de material encontrado indicando o modo como as pessoas viviam no passado.

Embora existam sítios arqueológicos extremamente valiosos em terra, muitos dos recursos de informação sobre povos e ambientes passados também sobrevivem debaixo de água. Estes locais têm sido de elevado valor no fornecimento de informações novas e emocionantes sobre o passado humano.

Os sítios arqueológicos subaquáticos têm sido importantes por duas razões básicas: são normalmente únicos na sua natureza e não se encontram em mais nenhum lugar (exemplo Naufrágios) e determinados materiais estão normalmente mais bem preservados em sítios arqueológicos subaquáticos.

Alguns tipos de sítios arqueológicos não disponíveis em terra, podem ser encontrados em ambiente subaquático, por exemplo:

  • Locais de evidências perdidos depositados em ambiente subaquático. Os naufrágios são talvez o exemplo mais óbvio;
  • Locais estabelecidos em zonas costeiras ou margens de rios, os quais se encontram parcialmente ou totalmente submergidos. Estes estão normalmente relacionados com infraestruturas marítimas tais como cais, docas, estaleiros;
  • Locais construídos sobre a água ou dentro desta, são raramente acessíveis a investigações baseadas apenas em métodos utilizados em terra seca (exemplo estacadas, cais palafíticos);
  • Locais que foram edificados em terra, mas que se encontram agora submersos (exemplo locais pré-históricos no golfo do méxico ou que ficaram submergidos quando o canal da mancha viu o seu nível do mar aumentar).
  • Locais que no seu desenvolvimento passado acompanharam o aumento do nível do mar. Neste caso o local afasta-se progressivamente da sua origem inicial, alguns dos seus elementos passam a encontrar-se somente em ambiente subaquático.
Fig 7. – Cais do Sodré em Lisboa
  • Locais que foram edificados em terra, mas que se encontram agora submersos (exemplo locais pré-históricos no golfo do méxico ou que ficaram submergidos quando o canal da mancha viu o seu nível do mar aumentar).
  • Locais que no seu desenvolvimento passado acompanharam o aumento do nível do mar. Neste caso o local afasta-se progressivamente da sua origem inicial, alguns dos seus elementos passam a encontrar-se somente em ambiente subaquático.

A segunda razão para os sítios arqueológicos subaquáticos serem importantes, deve-se ao fato das evidências sobre o passado existentes nestes locais se encontrarem na maior parte das vezes mais bem conservadas do que nos locais em terra. Importa referir que se os artefactos existentes forem deixados expostos á água do mar este vão sofrer um processo natural de desgaste, no entanto objetos individuais que sobrevivam encontram-se normalmente mais bem protegidos de serem danificados, removidos… pela barreira de água que protege os mesmos.

Figura 8 – Comparação da preservação de materiais em terra vs. ambiente subaquático em espaço europeu

O maior exemplo da potencial preservação em ambiente subaquático é muitas vezes referido como efeito de “cápsula do tempo”, “Um navio afundado é uma cápsula do tempo” muitas vezes assim referido pelos diversos fatores de proteção referidos nestes sítios arqueológicos subaquáticos.

 As evidências normalmente disponíveis nos sítios arqueológicos em terra, os quais possam estar desabitados por longos períodos, não nos dão necessariamente uma imagem atualizada do que possa ter acontecido em determinado momento, ao contrário estes refletem alterações ao longo do tempo. Por este motivo é muitas vezes difícil compreender como o local funcionou no passado em determinado momento. O cenário ideal para um arqueólogo passaria por poder “congelar” determinado local no seu auge, não somente os objetos individuais seriam preservados em virtude da sua utilização e desgastes referidos, mas estes também seriam aprisionados em posições e associações refletindo a forma como eram utilizados.

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