Módulo 3, Tópico 1
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A Narcose do Azoto

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O azoto faz parte de um conjunto de gases denominados gases inertes entre os quais se incluem o hélio, árgon, hidrogénio, etc.

A narcose, tão conhecida e comentada em todos os cursos de mergulho, ao contrário do que muitos acreditam, não é causada única e exclusivamente pelo azoto.

A terminologia correta seria narcose dos gases inertes, sendo a do azoto a mais popular devido ao grande uso do ar comprimido.

Nas misturas gasosas utilizadas no mergulho técnico que possuem hélio na sua composição, também terão este gás como um dos causadores da narcose, porém com um efeito quatro vezes menos narcótico do que o azoto.

Como neste curso não vamos usar misturas com hélio, vamos debruçar-nos unicamente sobre a narcose do azoto. Esta define-se como sendo um síndrome clínico, caracterizado pela diminuição das capacidades intelectuais e neuro-musculares, com alterações do estado de espírito e do comportamento de um indivíduo.

Os estudos sobre a real causa da narcose não são conclusivos, mas até ao momento sabemos que a narcose, ao que tudo indica, não é resultado de uma reação química e prova disso é o facto de os sintomas de intoxicação ocorrerem com um determinado valor de pressão, mais ou menos constante para o mesmo indivíduo e o mesmo gás, e esses sintomas desaparecerem com a diminuição da pressão, embora bastantes mergulhadores tenham experimentado algum grau de amnésia do seu desempenho no fundo.

Aparentemente, as moléculas dos gases afetam-nos fisicamente, estando este efeito diretamente relacionado com a solubilidade do gás nas células adiposas do nosso tecido nervoso, ou seja, o gás é absorvido pela gordura das células nervosas e age nas sinapses entre elas, interferindo nos sinais químicos e elétricos da atividade cerebral.

Os primeiros sintomas aparecem normalmente ao fim de dois minutos após se alcançar a profundidade crítica, mantendo-se mais ou menos constantes ao longo do tempo, desde que o mergulhador permaneça à mesma profundidade. A narcose do azoto é pois uma intoxicação dependente da pressão parcial do azoto e não do tempo de exposição a esse gás.

Existe uma grande variação individual quanto à tolerância ao azoto sob pressão e esta pode até variar no mesmo indivíduo de um dia para o outro. A narcose pode ser potenciada ou agravada por vários fatores, tais como o stress, níveis elevados de CO2, frio, fadiga, velocidade de descida, sedativos e álcool. Também se acredita que o aumento da pressão parcial do oxigénio pode contribuir com a sua parte para a narcose.

Considera-se que todos os mergulhadores estão expostos a esta intoxicação a partir dos 30 metros, embora existam casos descritos a profundidades inferiores.

SINTOMAS E SINAIS

  • Sensação de bem estar;
  • Euforia;
  • Aumento do diálogo interior;
  • Diminuição da atenção;
  • Raciocínio lento;
  • Perda da sensibilidade;
  • Minimisar o perigo;
  • Falta de coordenação motora.

Alguns sintomas podem surgir inicialmente e mais subtilmente, tais como dificuldade em ler os traços finos da graduação do manómetro ou aumento da sensibilidade ao som da sua respiração.

COMO PREVENIR

  • Relaxar antes do mergulho (a ansiedade aumenta a suscetibilidade à narcose);
  • Descer lentamente;
  • Prestar muita atenção aos seus pensamentos, sentimentos e concentração,de maneira a notar qualquer súbita sensação de atordoamento ou uma certaconfusão mental;
  • Evitar qualquer tipo de esforço;
  • Respirar profunda e pausadamente.

Mergulhos abaixo dos 40 metros podem ser feitos com segurança, mas nunca devem ser levados de ânimo leve.

Uma recomendação para quem quer mergulhar abaixo dos 40 metros com ar, e embora isso não esteja provado cientificamente, é, dia a dia, ir aumentando gradualmente a profundidade dos mergulhos, e com isso aumentar a tolerância à pressão parcial do azoto. Quase todos os “deep divers” confirmam que essa adaptação se verifica. Assim sendo, um dado importante a reter é que a tolerância à pressão parcial do azoto e à narcose é provavelmente um parâmetro suscetível de ser influenciado pela experiência e pela habituação.

Todos os mergulhadores devem ter prudência e atenção a todos os aspetos do mergulho profundo, particularmente no que toca à narcose. Experiência é vital antes de tentar progressivamente mergulhos mais fundos. Se mais tarde pretenderes ir além do limite deste curso, é fundamental teres formação nessa área com um competente e experimentado instrutor. Não tentes obter experiência por ti mesmo, pois o risco não compensa.